...............Sexta-feira, Março 24, 2006...............




_ a mente e a noite _

Deitado em seu leito longe do calor e da urbanidade sonora molestantes ele sucumbiu à tentação do pensamento. Nada mais existia, só o seu corpo ereto e imóvel engolido em sentidos pelas curvas da mente. Estava a imaginar em sonhos lúcidos o caminhar da multidão que o provia de dúvidas; o amigo falso, dono agora de seu ódio, encarnado em mentiras desmascarou-se; seu alter-ego de meio de semana, frio, transbordando agruras imperdoáveis; a namorada que banaliza o amor, sonhadora inútil, tropeçava entre atos e palavras, pecou pela imobilidade de seu querer, esqueceu-se no tempo, perdida entre uma promessa e outra.
No imenso vórtice amorfo a sua mente vagava. Esquadrinhava-se sob as linhas da eternidade pesquisando um sinal de vida nos escombros lodosos do passado.
A perna tremeu. A mente excitou-se mais ainda. Que personagem extremo se avolumava em seu ego. A duvida, tentadora como é, algoz das certezas, nos porões fundos da melancolia trespassou o tempo incólume, privou-lhe o raciocínio emocional.
Quantas noites acordado embebido em pensamentos vagos os haviam transformado? Abriu seus olhos latejando à maldição das horas intermináveis de sua vida e arrefeceu suas angustias no ensaio de uma lágrima. Os contornos brancos e a geometria rústica da parede fadaram sua visão num instante. Tornou a cerrar as pálpebras, fechando os olhos a medida que o cansaço o consumia . Não sentia calor, mas o suor escorria-lhe as sobrancelhas. Novamente concentrou-se. Buscou nos cantos escuros mais passos que pudesse acrescentar à estirpe daqueles que o enojavam. Era tarde demais. Ele levantou-se, esgarçou as cortinas e sentiu a noite, o frio lhes refrescou a fronte, encantado encarou a lua alguns minutos. Voltou ao seu leito, deitou-se mais uma vez imóvel e ereto e fechou os olhos. Dormiu aliviado, refrescado à brisa noturna, apaixonado pela lua,...ébrio de tristeza



ps: é muito bom escrever historinhas sem fim.

|| Filipe Camelo||2:49 PM horas|| opniões |


topo


...............Sábado, Março 18, 2006...............



why?

"Nos porões de tristeza impenetrável
Onde o Destino um dia me esqueceu;
Onde jamais um róseo raio ardeu,
Só com a noite, hospedeira intratável,

Sou qual pintor que um Deus, por diversão,
Na treva faz mover os seus pincéis,
Ou cozinheiro de apetites cruéis
Que assa e devora o próprio coração. "
Baudelaire

Por favor alguém me explique por que a natureza do ser humano tem em seu favor a capacidade de complicar todas as coisas que existem , principalmente as relações inter-pessoais. Nao quero ouvir o que tem base nos arquetipos junguianos, uma historinha biblica ou os numeros da cabala. Nao posso comer um arquetipo junguiano, nem por em pratica o "talião" da biblia, muito menos verter minhas incognitas em luz sendo revelado pelos numeros cabalísticos. É tanta complicação. Seria tão mais facil se todas as pessoas pudessem ler o pensamento do proximo e assim incorporar seus sentidos. Só um insensível não cederia a provação dos sentimentos mais inócuos de , por exemplo, seu companheiro.





|| Filipe Camelo||12:47 PM horas|| opniões |


topo


...............Quarta-feira, Março 01, 2006...............



O carnaval no Brasil diz-se, "aquece a economia". Não posso negar que o turismo e algumas pequenas cidades se privilegiem disso, mas esconder que te tudo o mais o que aquece mesmo é a preguiça do povo não é correto. Aí, aqui em meu querido estado, o poder público subsidia umas "escolas de samba" (que em maior parte e ao meu ver não são mais que os braços longos da cultura da periferia do Rio de Janeiro), mas o que fazem de melhor, e digo sem provas mesmo, é engordar a estirpe dos que mamam nas tetas do estado e, é claro, o mais puro "panis et circenses". Dia desse me peguei distraído vendo um desfile. As mulatas hipnotizam. E como desforra me obriguei a ler um livro e convidar a namorada a me fazer companhia. Rimos juntos do temporal que abalou a festa dos esquecidos á beira-rio e comemos chocolate. É um tal de batuque que retumba ao longe...num frenesi..., num "carnivale" incessante que só prorrogou minha insônia. Nessas horas "pré-sono" viro vidente e pai-de-santo, imagino o futuro até o dia da morte. Falando nisso, a verdade mórbida é que importamos o carnaval e a Alemanha inventou a rapadura. Estou pensando em vender um rim e sair do país, ouvir batuque bem de longe e comprar uma camisa do Ronaldinho. Quem sabe mais tarde eu volte pra cá e vire turista estrangeiro? Já viu coisa mais style? Eu não...!!

|| Filipe Camelo||4:00 PM horas|| opniões |


topo


melhor visualizado em 1024x768
ARTES
PERFIL
ARQUIVOS
ORKUT
SOLIDÂO
2HORAS