...............Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006...............



Eu e Melville
Ontem o céu estava amarelado, a tarde ociosa cheia do calor abafado de sempre ganhou cor. Amarelo. As nuvens despontavam escassas no norte e a fina camada que recobria o horizonte se alargava até o sul onde torres de nuvens brancas emergiam por trás da palidez dos céus.
Achei bonito. Peguei um livro," Moby Dick", de H.Melville e fui reler. MAs esse calor...o suor latejante escorria em meu rosto, e um mosquito, e tenho certeza de que era apenas um, me enchia a paciência. Esbofetiei o ar três vezes e machuquei o dedo na parede. "Diabo, mosquito desgraçado", disse eu destilando meu ódio mortal. Acalmado o ânimo resolvi desistir estrategicamente de ler no momento em que o livro fica mais chato;
que é quando o autor( não tenho a minima idéia do porquê) impressionado com a cabeça da baleia se vale de circunlóquios chatíssimos por, pelo menos, três capítulos. " Se, fisionomicamenmte, o cachalote é uma esfinge, para o frenologista o seu cérebro apresenta um problema análogo ao da quadratura do círculo(...)". E por aí vai...paciência!! Depois a noite pintou o céu de preto e o manto nublado encobriu a lua, remanescendo apenas um punhado de pequenas estrelas. Eu cansado, nem tive tempo de perceber que dormira abraçado sob as aprazíveis historietas de Melville e suas cabeças de cachalote...

|| Filipe Camelo||11:46 AM horas|| opniões |


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...............Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006...............



medo de mim...

O que tecer sobre a fraqueza ?
Se é pela coação dos fracos que os fortes se impõem.
O que dizer da maldade?
Se é o perdão quem valida os bons.
O que devo saber ?
Se o saber não traz sabedoria, porque "sábio é aquele que sabe viver e não aquele que mais sabe".

Não sei o que fazer , por que não sei a quem a negar nem a quem oferecer. Deveras sentir-se ileso não seja pecado, contudo far-se -á nada sem cicatrizes. Eu não vivo . Não aproveito o momento, nem planejo o futuro. Eu fico inerte. Longe de respirar o medo de meu passado e perto do sono da minha existência. Não tenho medo, nem calor. Eu ando descalço sob as letras que escrevo. Sou apenas a sombra de meus pés sujos. E não tenho explicação. Por que simplesmente não sei. E não me construo no tempo. Meu túmulo é minha palavra. E o epitáfio o silencio. Não choro , nem durmo. Eu não sou humano. Não me acuso de ser racional, por que não o sou. Pergunto a mim não aos outros. Mas a experiência não traz a resposta. Então emudeço, calado, envolvido em questionamentos que não sei explicar. Eu sou eu. Sou apenas a imagem que o espelho reflete. Não tenho alma, apenas escrevo! E quando a página acabar eu não mudo. Eu sigo em frente. Não sei mudar a direção.E a verdade me pressiona. Eu não sou um homem. Porque não tenho conceitos. Eu não sigo regras. Porque as regras são seguidas, e não sigo, apenas caminho em frente, sem medo nem pretensão . Não grito! por que o grito tem expressão, e não sou expressivo. Eu respiro,mas não sinto a respiração. Porque não sou um homem, porque não sou humano! Por que não tenho direção! Eu apenas escrevo....


P.S : Isso não é um poeminha ou algo parecido...mas nao posso negar que tenha algo de poesia.

|| Filipe Camelo||3:45 PM horas|| opniões |


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